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ECONOMIA REGIONAL

quarta, 10 de outubro de 2018
SETOR DE CONFECÇÕES ENFRENTA CRISE E DEMITE NA REGIÃO, MAS PREVISÃO É DE MELHORA

Empresários do setor têxtil e de confecções aguardam a recuperação da economia após o segundo turno das eleições presidenciais e o início das vendas para o final de ano. Segundo pesquisa da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), passadas as incertezas que caracterizam o cenário eleitoral, poderá haver crescimento nas vendas, especialmente pelas datas comemorativas como o Dia das Crianças, Black Friday e Natal.
Segundo o levantamento, metade dos consultados (50%) estima aumento no consumo entre outubro e novembro, quando acontecem as duas datas, respectivamente na reta final e após o pleito. O viés positivo é percebido também em relação à expectativa para a produção neste período. Após meses de queda, a previsão, para 37,5% do empresariado, é de que o número de produtos fabricados seja ligeiramente superior ao dos mesmos meses do ano anterior.
O presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário do Sudoeste do Paraná (Sinvespar), Luiz Krindges, diz que o setor vinha bem até o primeiro semestre, mas os reflexos da paralisação dos caminhoneiros ainda afetam as empresas. Ele salienta que as indústrias da região mantêm cerca de oito mil trabalhadores e com a crise foram eliminados em torno de 500 postos de trabalho. O empresário afirma que as empresas que têm marca própria enfrentam melhor a crise, porém as empresas de facção (costura terceirizada) estão com mais dificuldade. Em 2016, várias indústrias de facção acabaram fechando devido às dificuldades enfrentadas.
Krindges acredita que as vendas de final de ano ajudarão aquecer a economia. “As pessoas precisam se vestir, então o ano não está totalmente perdido. Tudo vinha bem até a greve dos caminhoneiros, piorou mesmo foi nos últimos três, quatro meses.” O dólar em alta também favorece os produtos têxteis brasileiros que não precisam concorrer com os chineses. O dólar alto torna o produto importado menos competitivo no mercado interno.

Empregos no município
Lenir Possebon Nicolodi, da Agência do Trabalhador de Francisco Beltrão, diz que a oferta de vagas para trabalhadores no setor de confecções está muito baixa nos últimos 90 dias. Ela relata que várias empresas estão cadastradas e fazem o recrutamento através da agência, mas nos últimos meses a demanda caiu. 
Se não há contratações, por outro lado, o ritmo de demissões ainda é alto. Suelen Prestes, responsável pelo encaminhamento do Seguro Desemprego, disse que nos últimos dois meses cerca de 60 trabalhadores das indústrias de confecções encaminharam pedidos para receber o benefício.

 

Números confirmam expectativa dos empresários

Ainda que os números do ano não sejam bons, a produção têxtil e de confecções começou a sentir leve recuperação, com crescimento de 0,7% nos últimos 12 meses. O cenário não é o mesmo para as confecções, que seguem no negativo, com queda de 1,7% no mesmo período. No comparativo entre agosto deste ano e o mesmo mês de 2017, o setor têxtil apresentou de retração de 5,3% e o de confecção, 2,6%.
A queda nas importações também reforça a leve sensação de recuperação apresentada pelos entrevistados. Comparando setembro deste ano com o de 2017, houve redução de 20,54% no volume de importados do setor têxtil e de confecção nacional, e de 2,1% nas exportações. No mesmo período, houve, também, queda de 21,78% na quantidade de importação de vestuário, e crescimento de 23,08% nas exportações. A expectativa é de que o câmbio poderá auxiliar a competitividade do setor nos próximos meses.

Rescisões nem sempre passam pelo sindicato

A presidente do Sindicato dos Empregados nas Indústrias do Vestuário e Confecções em Geral de Francisco Beltrão (Sindiconfabe), Eloir Aparecida de Oliveira, está preocupada com as demissões no setor. “Tivemos meses em que foram demitidos entre 180 a 200 trabalhadores. Uma única empresa fechou filial em Dois Vizinhos e demitiu em torno de 80 pessoas. Outras empresas acabaram dando férias de até 40 dias. O que a maioria dos empresários nos dizem é que tiveram que demitir porque a produção caiu”, relata. 
Ela não sabe precisar o número de demitidos, porque nem sempre as rescisões são feitas através do sindicato. “De fato, a queixa maior é que a crise se agravou após a paralisação dos caminhoneiros, estamos esperando que melhore, pois existem muitas pessoas aguardando para trabalhar”, comenta. 
Além disso, a sindicalista observa que muitos trabalhadores estão fazendo acordos para acessar até 80% do FGTS, mas não estão se atentando que perdem o direito ao Seguro Desemprego. “Os trabalhadores chegam aqui e se lamentam que não terão direito ao seguro desemprego, mas daí já é tarde porque assinaram todos os papéis.”

Fonte: jornal de Beltrão/ Fotos: Gelson Bampi/Fiep