Um dos assuntos da reunião semanal da Acefb, ontem, foi o programa Mais Médicos, do governo federal, que foi criticado pelo vice-presidente da Associação de Médicos do Sudoeste, Badwan Jaber.
Ele defendeu que, para a melhoria da saúde no país, seria necessária a aprovação da emenda 29, sem vetos. “E isto está sendo retomado”, disse.
No ano passado, a emenda 29 foi aprovada no Congresso, mas com vetos. Ela, na sua origem, estabelece que os municípios devem disponibilizar 15% do seu orçamento em saúde — “na verdade, os municípios põe mais que 15%”, sublinhou Badwan —; os estados, 12% — “o Estado do Paraná está cumprindo com esse percentual”, garantiu —; e o governo federal, 10% — “mas com os vetos [aprovados pela maioria dos deputados], o governo federal repassa apenas 4,4%; se fossem os 10%, a saúde estaria muito melhor”, comentou.
A proposta do governo federal de “importar “ médicos surgiu depois das manifestações populares do final de junho. Alia-se a isso, as reclamações de prefeitos de que profissionais médicos não aceitam residir no interior e em regiões periféricas
Segundo dados preliminares, já são 18 mil os médicos inscritos nesse programa federal, sendo três mil estrangeiros.
Na fala de Badwan, ele destacou que “o importante” são as condições de trabalho, que “fixam” o médico pelo país. Badwan exemplificou com o Hospital Regional, que tem estrutura moderna. “Temos 90 médicos no Hospital Regional, sendo que 30 são de fora, que moram aqui, que tem consultório, compraram apartamento, estão aqui porque existe o Hospital Regional, que tem estrutura”. “Não faltam médicos no país, eles apenas estão mal distribuídos.”, disse. Segundo falou, o Brasil tem 1,6 médico para cada mil habitantes, sendo que o preconizado pela OMS é de um para cada mil pessoas.
Sobre o SUS, Badwan pontuou que o problema é muito mais de gestão do que de “simplesmente botar mais dinheiro”.
Revalida
Os principais cursos de Medicina de São Paulo — Unicamp, USP, Unesp e Unifesp — estão fora da lista de instituições que terão alunos inscritos para realizar o pré-teste do Revalida, aplicado pelo Ministério da Educação para revalidar diplomas de médicos formados no exterior. Também ficaram de fora cursos tradicionais como o da Santa Casa e o da PUC-SP.
O Estado São Paulo tem 38 cursos, mas só 3 participarão do exame, todos de instituições particulares: os das Universidades de Ribeirão Preto, Marília e Oeste Paulista. As duas primeiras têm nota 3 (regular) no Conceito Preliminar de Curso (CPC), índice de qualidade do MEC, publicado em 2010. A do Oeste Paulista teve nota 2, nível insatisfatório.
O objetivo do MEC ao aplicar o Revalida para brasileiros é “calibrar” a prova e entender se ela está adequada às diretrizes dos cursos de Medicina do País. Entidades médicas e especialistas criticam o pré-teste, sob o argumento de que o diagnóstico serviria para baixar a dificuldade do Revalida. Criado em 2011, o exame registrou índices de reprovação entre 90% e 91%
Milton Arruda Martins, professor titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP, diz que as três escolas paulistas escolhidas não têm representatividade. “A amostra não me parece adequada. São instituições medianas”, diz. O Estado tem 18% do total de vagas de Medicina no País, mas, entre os que farão o Revalida, só 10% são paulistas.
Fonte: jornaldebeltrao.com.br