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sexta, 30 de agosto de 2013

Selic sobe para 9% ao ano

Na noite de ontem o Banco Central (BC) subiu o juro básico da economia brasileira, a taxa Selic, em 0,50 ponto percentual, para 9% ao ano. É a quarta alta seguida da taxa. A decisão foi unânime e o aumento confirmou a principal aposta dos economistas, baseada no atual cenário de pressão inflacionária, agravado pelo aumento recente do dólar em relação ao real. A moeda americana valorizada encarece, em reais, produtos importados, como matérias-primas.

A elevação dos juros é um instrumento usado pelo governo para conter o consumo, uma vez que o crédito (tanto empréstimos em instituições financeiras, quanto parcelamentos em lojas, por exemplo) fica mais caro. E, com menos demanda, a inflação tende a ceder. "O dólar deve continuar subindo até o final do ano e pressionando a inflação no Brasil", diz o estrategista da Fator Corretora, Paulo Gala. "Por causa disso, o BC deve aumentar ainda mais a Selic, para manter a inflação sobre controle em 2014", acrescenta.

Outro fator que deve motivar a política monetária mais firme do BC até o fim do ano, segundo Gala, é a menor safra de grãos nos Estados Unidos, prejudicada pelo mal tempo, que deve pressionar os preços de alguns produtos no mercado nacional. Para o economista-chefe da consultoria Lopes Filho, Julio Hegedus, o BC será mais incisivo em seu tom nos comunicados das próximas reuniões do BC, em outubro e novembro.

"A autoridade se descolou recentemente da Fazenda e tem tentado mostrar alguma autonomia (em relação ao governo). Mesmo assim, as medidas econômicas que estão sendo tomadas não são agressivas. Estão ´empurrando as coisas´ até o ano que vem, em que teremos eleições", afirma.

Ambos os especialistas esperam mais um aumento de 0,5% ponto percentual na Selic na reunião do Copom de outubro, terminando 2013 a 9,5% ao ano.

Juros Altos

Para o consultor financeiro Erasmo Vieira, o consumidor endividado deve priorizar o pagamento das dívidas por causa da elevação dos juros. "É sempre recomendável que a pessoa antecipe parcelas de financiamentos sempre que possível, desde que isso não comprometa seu orçamento mensal", diz. "Mesmo que o pagamento do empréstimo esteja em dia, esse consumidor não pode esquecer que ele representa uma dívida, estando sujeito a pagar juros maiores", acrescenta.

Considerando as diversas modalidades de crédito, com taxas de juros diferentes, Vieira afirma que o consumidor deve procurar sempre as opções mais baratas. "É essencial evitar as linhas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial", diz.

Na poupança

Sobre investimentos, o economista José Maria Ramos diz que a poupança ainda é uma das melhores escolhas, principalmente para quem tem poucos recursos, “que não tem grandes valores para investimentos”. Para ele, a poupança acaba sendo o principal investimento por algumas facilidades, como não ter imposto de renda; não haver incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), enfim, não haver elementos burocráticos. “A pessoa faz o depósito e retira assim que precisar. É algo mais simples e fácil”, fortalece.

Além disso, Ramos comenta que a poupança acaba sendo mais atrativa por ser um mecanismo de segurança, onde a pessoa, num momento de infortúnio (acidentes ou doença), tem para onde recorrer.

Com a Selic acima de 8,5%, a poupança volta a ter remuneração pela regra antiga, que equivale a correção de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais Taxa Referencial (TR), um pouco melhor que o rendimento de 70% da Selic mais TR sempre que a taxa básica de juros for igual ou menor que 8,5%, norma que passou a vigorar em maio de 2012.
Fonte: Diário do Sudoeste

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